16.7.09
O breve espaço de beijar
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9.7.09
Espaço: por acharmos que já sabemos...

Crackart
Se quiseres conhecer
porque é que o mar tem ondas
mergulha nele primeiro.
Sente-o dentro
não respondas!
Oliveira Cruz
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6.7.09
A arte poética no espaço
Se o poema não serve para dar o nome às coisas
outro nome e ao silêncio outro silêncio,
se não serve para abrir o dia
em duas metades como dois dias resplandecentes
e para dizer o que cada um quer e precisa
ou o que a si mesmo nunca disse.
Se o poema não serve para que o amigo ou a amiga
entrem nele como numa ampla esplanada
e se sentem a conversar longamente com um copo de vinho na mão
sobre as raízes do tempo ou o sabor da coragem
ou como tarda a chegar o tempo frio.
Se o poema não serve para tirar o sono a um canalha
ou ajudar a dormir o inocente
se é inútil para o desejo e o assombro,
para a memória e para o esquecimento.
Se o poema não serve para tornar quem o lê
num fanático
que o poeta então se cale.
António Ramos Rosa
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29.5.09
22.5.09
21.5.09
Espaços de memória que se tornam presente
Da simplicidade preciosa do quotidiano.
Das coisas bonitas que nos assaltam sem contarmos.
[momentos em que abrimos os olhos e - de facto - vemos]
Bom dia e um dia bom.
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18.5.09
Que espaço espera uma boca senão outra boca?
onde o fogo
de um verão
muito antigo
cintila,
a boca espera
(que pode uma boca
esperar
senão outra boca?)
espera o ardor
do vento
para ser ave,
e cantar.
Eugénio de Andrade
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15.5.09
3.5.09
30.4.09
Espaço: outras visões

Yann Orhan
apetece por vezes com os dias morrer por um pequeno
instante e deixar os fogos soltos na areia . acrescentar
água à face e perturbar os sentidos em busca da única
luz ou então sentir os movimentos e escrever a uma
amiga. dizer assim como quem fala: que espécie rara
de deus é o teu? a vida é ficar abraçado às dunas
apenas se há dois braços de areia por quem sonhar.
vir então aos poucos contando os mastros do verão
cumprindo o desejo das cartas de mar e assim mesmo
confundir todos os relógios da rota apenas para ter
mais tempo para ficar. o resto é saber o alfabeto de
cor até ao fim para que as palavras vão nascendo
devagar até ser sonho no sono dos dias ou ser sono
dentro de mim
João Luís Barreto Guimarães
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26.4.09
19.4.09
Regresso [sempre] ao espaço da fragilidade

Elena Tognoli
Creio que o mais egoísta dos homens é aquele que recusa dar aos outros a sua fragilidade e as suas limitações. Quem recusa aos outros a sua pequenez, comete um dos mais infelizes gestos de prepotência. E porque aí se rejeita, aos outros não poderá dar senão o sofrimento da perda. Querendo-se sem falha, será o mais incompleto dos seres.
Daniel Faria
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16.4.09
Espaço : permanecer

Lina Scheynius
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13.4.09
Espaço : volto a cantar
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10.4.09
7.4.09
4.4.09
À procura dos espaços onde se encontram os olhares

Ryan Mcginley
e um olhar perdido é tão difícil de encontar
como o é congregar ventos dispersos pelo mar
Ruy Belo
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2.4.09
Espaço dos partos sucessivos da vida



Gabriel Pacheco
Entro. Conheço a minha casa. É mansa
Sinto-lhe a respiração. Dorme sobre os meus pés
À chuva
Estende o patamar aos primeiros rios
Mora nas margens para ser a mais matinal
Das nascentes – a escuta
Junto na concha das mãos as palavras
Iniciais. Posso dar de beber
Aos que caem
Aos que encostam o ouvido à orla
Marítima. À bainha da mãe
Posso juntar as margens. Ou soltar a água
E correr
Daniel Faria
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30.3.09
Se... no espaço

?
Se tu podes impor a calma, quando aqueles
Que estão ao pé de ti a perdem, censurando
A tua teimosia nobre de a manter,
Se sabes aguardar sem ruga e sem cansaço,
Privar com Reis continuando simples,
E na calúnia não recorres à infâmia
Para com arma igual e em fúria responder,
- Mas não aparentar bondade em demasia
Nem presumir de sábio ou pretender
Manifestar excesso de ousadia, -
Se o sonho não fizer de ti um escravo
E a luz do pensamento não andar
Contigo num domínio exagerado,
Se encaras o triunfo ou a derrota
Serenamente, firme, e reforçado
Na coragem que é necessário ter
Para ver a verdade atraiçoada,
Caluniada, espezinhada, e ainda
Os nossos ideais por terra, - mas ergue-los
De novo em mais profundos alicerces
E proclamar com alma essa Verdade!
Se perdes tudo quanto amealhaste
E voltas ao princípio sem um ai,
Um lamento, uma lágrima, e sorrindo
Te debruçares sobre o coração
Unindo outras reservas à Vontade
Que quer continuar, e prosseguindo
Chegar ao infinito da razão,
Se a multidão te ouvir entusiasmada
E a virtude ficar no seu lugar,
Se amigos e inimigos não conseguem
Ofender-te, e se quantos te procuram
Para contar com o teu esforço não contarem
Uns mais do que outros, - olha-os por igual!,
Se podes preencher esse minuto
Com sessenta segundos de existência
No caminho da vida percorrido
Embora essa existência seja dura
À força das tormentas que a consomem,
Bendita a tua essência, a tua origem,
O mundo será teu,
E tu serás um Homem!
Rudyard Kipling
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