16.7.09

O breve espaço de beijar


Michael Riley



O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade

Espaço : desejos simples para o verão




Ataina Carrasco

9.7.09

Espaço: por acharmos que já sabemos...


Crackart


Se quiseres conhecer
porque é que o mar tem ondas
mergulha nele primeiro.
Sente-o dentro
não respondas!

Oliveira Cruz

6.7.09

A arte poética no espaço

Se o poema não serve para dar o nome às coisas
outro nome e ao silêncio outro silêncio,
se não serve para abrir o dia
em duas metades como dois dias resplandecentes
e para dizer o que cada um quer e precisa
ou o que a si mesmo nunca disse.

Se o poema não serve para que o amigo ou a amiga
entrem nele como numa ampla esplanada
e se sentem a conversar longamente com um copo de vinho na mão
sobre as raízes do tempo ou o sabor da coragem
ou como tarda a chegar o tempo frio.

Se o poema não serve para tirar o sono a um canalha
ou ajudar a dormir o inocente
se é inútil para o desejo e o assombro,
para a memória e para o esquecimento.

Se o poema não serve para tornar quem o lê
num fanático
que o poeta então se cale.

António Ramos Rosa

29.5.09

Espaço : outros céus


Frank Boenigk


Fui!

Bom fim de semana.

22.5.09

Só um espaço


Roberta Gorni


A quem entregas a tua solidão?

21.5.09

Espaços de memória que se tornam presente





Da simplicidade preciosa do quotidiano.

Das coisas bonitas que nos assaltam sem contarmos.


[momentos em que abrimos os olhos e - de facto - vemos]


Bom dia e um dia bom.

18.5.09

Que espaço espera uma boca senão outra boca?


Mikael-Kennedy


A boca,

onde o fogo
de um verão
muito antigo

cintila,

a boca espera

(que pode uma boca
esperar
senão outra boca?)

espera o ardor
do vento
para ser ave,

e cantar.

Eugénio de Andrade

15.5.09

Dar graças no espaço



Lisa Bernardini


Basta-me que o teu olhar me encontre.

José Rui Teixeira

3.5.09

O teu espaço de hoje


Sandra Poirotte


Tudo o que sabemos do amor, é que o amor é tudo que existe.

Emily Dickinson

30.4.09

Espaço: outras visões


Yann Orhan


apetece por vezes com os dias morrer por um pequeno
instante e deixar os fogos soltos na areia . acrescentar
água à face e perturbar os sentidos em busca da única
luz ou então sentir os movimentos e escrever a uma

amiga. dizer assim como quem fala: que espécie rara
de deus é o teu? a vida é ficar abraçado às dunas
apenas se há dois braços de areia por quem sonhar.

vir então aos poucos contando os mastros do verão
cumprindo o desejo das cartas de mar e assim mesmo
confundir todos os relógios da rota apenas para ter

mais tempo para ficar. o resto é saber o alfabeto de
cor até ao fim para que as palavras vão nascendo
devagar até ser sonho no sono dos dias ou ser sono
dentro de mim

João Luís Barreto Guimarães

26.4.09

Um espaço mínimo



?
Mathilde Dupont-Nivet


No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

Cecília Meireles

19.4.09

Regresso [sempre] ao espaço da fragilidade


Elena Tognoli


Creio que o mais egoísta dos homens é aquele que recusa dar aos outros a sua fragilidade e as suas limitações. Quem recusa aos outros a sua pequenez, comete um dos mais infelizes gestos de prepotência. E porque aí se rejeita, aos outros não poderá dar senão o sofrimento da perda. Querendo-se sem falha, será o mais incompleto dos seres.

Daniel Faria

16.4.09

Espaço : permanecer



Lina Scheynius


Não falem de um homem que amou sensatamente, falem de um homem que amou demais.

William Shakespeare

Esta é uma das grande riquezas dos clássicos. Muito mais que meras palavras actuais, são "forças" que se actualizam e podem renovar cada momento real.

Apesar da segunda imagem que gosto e escolhi, confesso não reconhecer em si o amor no seu sentido mais amplo [aquele que é fundo e se estende pelo tempo]. Nele não são só necessários beijos [que me agradam] mas um todo inteiro.

Às vezes gostar com menos efervescência e, ainda assim, permanecer.

13.4.09

Espaço : volto a cantar


David Meanix


Volto a cantar, e voltam-me à memória
As rústicas imagens,
Que guardei na retina
De menino:
O repique do sino
Depois das negras horas da Paixão,
E a brejeira
Canção
Que num toco
Já oco
De cerdeira
- Flauta que um pica-pau lhe dera -
A seiva assobiava à Primavera...

Miguel Torga

Bom dia e boa semana!

10.4.09

O espaço em que a morte se repete


Lorna Simpson

7.4.09

Aproxima-se a páscoa de muitos espaços...




Cristina Villa
?


Somente onde há sepulturas há também ressurreições.

Nietzsche

4.4.09

À procura dos espaços onde se encontram os olhares


Ryan Mcginley


e um olhar perdido é tão difícil de encontar
como o é congregar ventos dispersos pelo mar

Ruy Belo

2.4.09

Espaço dos partos sucessivos da vida




Gabriel Pacheco


Entro. Conheço a minha casa. É mansa
Sinto-lhe a respiração. Dorme sobre os meus pés
À chuva
Estende o patamar aos primeiros rios


Mora nas margens para ser a mais matinal
Das nascentes – a escuta


Junto na concha das mãos as palavras
Iniciais. Posso dar de beber
Aos que caem
Aos que encostam o ouvido à orla
Marítima. À bainha da mãe


Posso juntar as margens. Ou soltar a água
E correr


Daniel Faria

30.3.09

Se... no espaço


?


Se tu podes impor a calma, quando aqueles
Que estão ao pé de ti a perdem, censurando
A tua teimosia nobre de a manter,

Se sabes aguardar sem ruga e sem cansaço,
Privar com Reis continuando simples,
E na calúnia não recorres à infâmia
Para com arma igual e em fúria responder,
- Mas não aparentar bondade em demasia
Nem presumir de sábio ou pretender
Manifestar excesso de ousadia, -

Se o sonho não fizer de ti um escravo
E a luz do pensamento não andar
Contigo num domínio exagerado,

Se encaras o triunfo ou a derrota
Serenamente, firme, e reforçado
Na coragem que é necessário ter
Para ver a verdade atraiçoada,
Caluniada, espezinhada, e ainda
Os nossos ideais por terra, - mas ergue-los
De novo em mais profundos alicerces
E proclamar com alma essa Verdade!

Se perdes tudo quanto amealhaste
E voltas ao princípio sem um ai,
Um lamento, uma lágrima, e sorrindo
Te debruçares sobre o coração
Unindo outras reservas à Vontade
Que quer continuar, e prosseguindo
Chegar ao infinito da razão,

Se a multidão te ouvir entusiasmada
E a virtude ficar no seu lugar,
Se amigos e inimigos não conseguem
Ofender-te, e se quantos te procuram
Para contar com o teu esforço não contarem
Uns mais do que outros, - olha-os por igual!,

Se podes preencher esse minuto
Com sessenta segundos de existência
No caminho da vida percorrido
Embora essa existência seja dura
À força das tormentas que a consomem,
Bendita a tua essência, a tua origem,

O mundo será teu,
E tu serás um Homem!

Rudyard Kipling